terça-feira, 8 de agosto de 2017

Abra sua mente, blockbuster também é gente



Nos dias de hoje podemos atestar nossa inteligencia nas redes sociais com postagens sobre filmes, músicas, livros. Postamos e automaticamente temos aquela sensação interna de ter elevado o nosso QI para níveis maiores ou pelo o menos demonstrar isso. Afinal, poucas pessoas postam a música nas redes sociais quando escutam Araketu ou Só Pra Contrariar mas é só o spotify chegar em Pink Floyd que parece que a mãozinha do compartilhar chega a tremer. Isso não é exclusividade de ninguém e não precisa ter vergonha de admitir isso, mas a verdade é que desde a queda do finado Orkut (rip) que chegamos na página da Brasileirissímo e passamos a querer demonstrar todo o nosso bom gosto ouvindo MPB ou aquele rock indiezinho pra mandar aquela indireta. Se antes os status do MSN ficava com Chorão e o CJBR, ele foi substítuido pelo o status no face de arctic monkeys. Não é errado querer demonstrar o bom gosto ou passar a gostar de certas coisas porque aparentemente são mais bem aceita no círculo social que esteja inserido ou se quer se inserir. Mas, existe um limite, uma linha tênue, em que isso pode se tornar elitista e excludente. 

Digo isso, porque estava refletindo esses dias sobre uma postagem no facebook. Participo de um grupo sobre a sétima arte e no boom sobre o filme da Mulher Maravilha, um moderador postou "É proibido falar sobre o filme da Mulher Maravilha e blockbuster no geral", nas justificas dele, não eram filmes que enriqueciam, traziam algo consigo, ou seja, não era um filme "bom".

Mas o que são filmes bons?

Você pode ter respondido que filmes bons são aqueles que trazem uma lição com ele, que trazem um aprendizado ou até mesmo uma reflexão. Mas, o cinema como arte vai muito além disso. O cinema foi criado, primeiramente, como fonte de entretimento, ninguém pensava muito em arte nos primórdios dos longas, se ia ao cinema para se ter algo a se fazer e principalmente que se divertisse, é claro que isso não era acessível a todos, só a elite, os participantes do american way life do pós guerra podiam ter acesso a ele. Depois, com a disseminação dele no mundo, se viu que ele podia ser usado também com uma arma, já que ele era abrangente e assim como a televisão, tinha o poder sobre a massa, ele podia então ter uma função no mundo. 

Mas a questão é que o cinema em si é independência. A massa conseguiu que ele fosse acessível a todos e não ficasse só na burguesia, além disso, conseguiu que ele fosse instrumento de críticas a própria burguesia. Conseguiu ter um emancipamento, fazendo com que o entretenimento chegasse até eles, que eram máquinas de trabalho. É claro que os grandes patrões lucravam com isso, podiam divulgar e além disso, implantar alguma ideologia, mas  era uma via de mão dupla. Se fosse falar sobre a história do cinema e sua contribuição para a humanidade, daria um artigo, um livro, uma biblioteca, passando pela buscas das mulheres iranianas para ter a oportunidade de assistir qualquer filme e sendo proibidas pelo o regime talibã, até a pornochanchada e o sexo explícito no Brasil em plena a ditadura, dando uma certa liberdade as mulheres.

A questão é que ninguém é melhor do que ninguém por assistir filmes cults, clássicos ou do Godard. O cinema é uma arte abrangente e não excludente, não são todas as pessoas que tem acesso a esses filmes e além disso, que tem educação ao ponto de entender. Fazendo isso, estamos criando uma ditadura de que a inteligencia só pode ser aliada a filmes que são considerados cults só por alguns elementos diferenciados. A realidade é bem diferente. Ao colocar Cidade de Deus em uma periferia, as pessoas irão automaticamente identificar a sua realidade, ao colocar Blow Up e seus problemas da burguesia, white girl problems, que tem tudo mas estão em crise existencial assim como os filmes do Bergman, por exemplo, não existirá nenhuma identificação. Precisamos enxergar outras realidades e ver que o cinema é uma arte que tem como fonte o enterimento e também a reflexão mas ela não pode se dá só de um jeito, não existe forma para arte, não é uma receita de bolo.

Cultura não é só o que você gosta. Arte não é só o que você entende por ela. Delimitar é ser excludente e acima de tudo, pensar em si e na sua própria bolha. Você pode ouvir Gaiola das Popuzados e endeusar mulher maravilhosa sem atrapalhar seus estudos sobre física quântica ou fisiologia humana. A questão é, hoje em dia, queremos ser inteligente ou queremos parecer inteligente para ter uma auto estima elevada em algum campo da nossa vida?


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